Paris é logo aqui.
Naquela pequena cidade do interior, onde as ruas eram pavimentadas com paralelepípedos e as praças adornadas por coretos, ela trabalhava como se estivesse em Paris, ou ao menos em uma versão cafona dela.
Ao atravessar a porta toda manhã, ela exalava uma confiança quase teatral, digna de uma atriz amadora em um palco imaginário. Ela não apenas trazia Paris para si; ela esfregava Paris na cara dos outros. Ao planejar campanhas que oscilavam entre o pretensioso e o ridículo.
No almoço, desprezava o prato feito que todos comiam e exibia saladas decoradas com queijo brie que, segredava, tinha achado no mercado municipal. Fotos cuidadosamente editadas iam direto para o Instagram, "Uma pausa para o meu 'déjeuner'. #SofisticadaNoInterior". Sua audiência, um misto de curiosos e incrédulos, alternava entre risos velados e curtidas silenciosas.
Mas viver como uma parisiense no interior tinha seus desafios – a maioria deles criados por ela mesma. Os colegas de trabalho riam abertamente de suas extravagâncias, e os clientes frequentemente rejeitavam suas ideias com o tipo de desconforto reservado para visitas inesperadas.
Ainda assim, ela se mantinha firme, como uma diva incompreendida. Aos poucos, conseguiu algum reconhecimento. Ela, é claro, viu nesse resultado a confirmação de sua superioridade. Ao caminhar para casa, com os saltos ecoando pelos paralelepípedos e um perfume de floral barato que considerava "francês" no ar, sorria para si mesma. Para ela, o mundo inteiro podia ser Paris – desde que você estivesse disposto a fechar os olhos para o ridículo ao redor.

