Vozes da minha cabeça

Vozes da minha cabeça

Em breve

São apenas vozes na minha cabeça

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Rodrigo Vaz
jan 06, 2025

“Em breve”. Duas palavras que pairam no ar como nuvens densas, carregadas de chuva que nunca cai. Elas prometem algo: uma mudança, uma resposta, um evento que está logo ali, a um passo, a um instante. Mas, quanto mais se aproxima, mais distante parece.

Ela olhava fixamente para a tela do celular. A mensagem piscava na sua mente, ainda que a notificação houvesse desaparecido. “Em breve, novidades.” Era a promessa de uma resposta para a entrevista de emprego. Fazia uma semana. Depois duas. Depois três. O “em breve” continuava ecoando, como uma melodia desafinada que ela não conseguia parar de ouvir.

No entanto, ela não estava sozinha. Ele também vivia seu próprio “em breve”, aguardando uma ligação que nunca vinha. Era algo sobre um reencontro com um velho amigo, um jantar planejado “para quando as coisas se acalmassem”. As coisas, claro, nunca se acalmavam. E ele seguia alimentando aquele fio de esperança, mesmo que soubesse, no fundo, que nunca haveria jantar.

Enquanto isso, alguém escrevia diariamente em seu diário: “Em breve, a felicidade.” Era um mantra, uma forma de segurar o desespero que a ameaçava. Fazia listas de metas que nunca cumpria, de sonhos que nunca perseguiu, mas sempre acreditava que “em breve” a vida entraria nos eixos. Quando? Talvez amanhã. Ou na próxima semana. Ou no ano que vem.

A vida de cada um deles girava em torno desse conceito vago, enganador. Às vezes, o “em breve” era um consolo, uma promessa vazia que os mantinha de pé. Outras vezes, era um peso insuportável, como carregar uma mala cheia de nada.

Em um dia qualquer, ela finalmente apagou os e-mails na sua caixa de entrada. ele desistiu de tentar marcar jantares. Alguém fechou o diário e jogou fora as listas. Cada um, em seu tempo, percebeu que o “em breve” não era uma promessa, mas uma ilusão. Uma forma de a vida adiar respostas que talvez nunca venham.

E, ainda assim, em algum canto da cidade, outra pessoa recebia uma mensagem, uma promessa vaga. Uma frase simples que dizia: “Em breve”. E o ciclo recomeçava.

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